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domingo, 10 de abril de 2016

Diz-me algo.

Andaste a jogar na lotaria onde prêmio era o amor, e sabes que quem joga tanto perde tanto. 
Agora vagueias pelas ruas tristes do Porto e tocas saxofone para ver se ganhas uns trocos, sempre no mesmo canto perto da Torre dos Clérigos, vejo-te a tocar. Em 30 meses, disseste-me que já ganhaste 30 cêntimos, com um sorriso na cara. 
Num dos muitos dias, passei por lá a correr e tu olhaste para mim como se eu fosse uma nota gigante. No outro dia, chovia torrencialmente, estavas encharcado, ninguém estava parado para te ouvir e atirei para o teu chapéu 30 cêntimos que já mos devolveste.
No dia seguinte fui-te ouvir, com o café quente na mão e que se foda a escola, é só a primeira falta. Tocas-te tanto que nem reparei que detesto a música clássica, porque nos teus olhos prendidos aos meus existia aquele constrangimento de quem quer falar mas não fala. Já era noite e nenhum de nós se movia, o meu café já estava gelado e os teus braços cansados. 
Até que paraste.
E veio o silêncio.
Por favor, diz algo.
Diz-me algo.
Sacaste da tua mochila um caderno com poemas e deste-mo, eu ri-me tanto que se naquele momento tivesse lido um poema sobre mim ter-te-ia beijado, mas nem deu tempo para foliar o caderno todo porque dei por mim a beijar-te.

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